Páginas

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

RESENHA | LOLITA


Autor: Vladimir Nabokov
Editora: Alfaguara
Gênero: Romance
Ano: 2014
Páginas: 391


Lolita é um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos.
A obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Através da voz de Humbert Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador.


Pense num livro difícil de ler e principalmente de resenhar. A princípio eu realmente pensei que seria uma leitura agradável e rápida, já tinha assistido aos filmes (versões de 62 e 97) e adorei a história. Mas quando fui ler, demorei bastante para terminar pois parava muito para digerir o que eu tava lendo e para refletir sobre certas coisas ou comentar com uma amiga que já tinha lido e ter a certeza que tinha entendido certo.

Por que reagi assim? Porque a história contada nas duas versões - assim como muitas pessoas acreditam - romantiza o enredo. Quando assisti aos filmes eu realmente acreditei que Lolita, uma garota de 12 anos, não era nada inocente e que o professor Humbert, um coroa com uns 40/50 anos, é vitima dessa jovem tentação que tenta a todo custo seduzi-lo. Esse foi meu erro! Me deixei levar pela história, uma história contada a partir dos olhos de um pedófilo.

Isso mesmo, Lolita nada mais é que uma história de pedofilia, contada por um doente. Sabe como minha ficha caiu? Lendo o livro. Que também é contado por Humbert, mas com uma escrita detalhada pude ter noção de que minha interpretação estava muito equivocada.

A história é contada em primeira pessoa, como eu já disse, pelo professor Humbert. Este, está preso esperando julgamento e a partir disso começa a contar como conheceu Dolores Haze, vulgo Lolita.



Depois de um certo acontecimento em sua vida, Humbert Humbert muda de cidade e conhece Charlotte Haze, mãe de uma jovem de 12 anos de idade, Dolores Haze. O professor, depois de ver a filhinha de Charlotte pela primeira 
vez resolve alugar um quarto disponível na casa, afim de ficar mais perto da garota. Logo, se aproximando de Dolores, ele apelida a menina de Lolita.

"Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta." (pág, 13)

Há um tempo atrás, na sua adolescência, se não me engano, ele se apaixona por um jovem chamada Anabele. Infelizmente, por conta de uma tragédia, ele não pode viver essa amor e isso o deixou perturbado demais. Ele passa a ficar obsessivo por ninfetas e até se casa com uma mulher do estilo filhinha de papai e mimada só porque ela fazia birra e outras coisas que lembrava uma criança. Com isso eu logo vi que normal esse cara não era. Por isso percebi que os filmes tinham romantizado muito a história e eu não percebi a verdade por trás dos fatos.

Esse livro é perturbador pois mostra o quão louco e doente era Humbert. Mostra o quanto ele fez mal a Lolita. Você percebe que ele drogava a menina, muitas vezes através dos seus doces, para poder abusar dela sexualmente sem ouvir queixas. Ele roubou toda a infância e adolescência de Lolita a ponto de, muitas vezes, deixá-la atormentada pro conta de tudo que ele fazia e dizia.

Mais para o final do livro, depois de tanto acontecimento eu descobri qual era o plano de Humbert para quando Lolita ficasse velha e perdesse sua beleza jovem e o resto de sua inocência. Gente, como esse cara é doente e nojento. Jesus! Depois de terminar a leitura eu fiquei um tempo refletindo sobre tudo que tinha acabado de ler para poder saber se eu gostei ou não do livro. 

Eu amei! Amei a história, amei a escrita, amei as ironias durante a escrita e, uma coisa me chamou muito a atenção: este livro pode te enganar bastante. Você pode simplesmente achar que é somente uma história de amor entre um cara mais velho e uma jovem de 12 anos, mas não esqueça que essa história é contada somente por um lado, o do pedófilo. Não esqueça de sempre ser o narrador observador e nunca se permita cair na tentação de acreditar em tudo que o Humbert fala, você pode cometer o erro de julgar Lolita como culpada. E o monstro, pode ter certeza, não é ela.

Curiosidade

*A partir dessa obra surgiu o termo ninfeta que, segundo o autor, são meninas de 9 a 14 anos que apresentam uma sensualidade aflorada, bem nítida.  


Já conhecem o Orelha de Livro? Não? Clica Aqui!!!



Até a próxima,
Suh.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Então participa comentando abaixo ;)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...