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quinta-feira, 16 de junho de 2016

RESENHA | O COLECIONADOR DE LÁGRIMAS | HOLOCAUSTO NUNCA MAIS


Autor: Augusto Cury
Editora: Planeta Brasil
Gênero: Psicologia; Ficção
Ano: 2012
Páginas: 376 


"Um professor especialista em nazismo e II Guerra Mundial, começa a ter insônia e pesadelos, como se estive vivendo as atrocidades do Nazismo. A partir disso o passado passa a ser vivo para ele. Em um ponto de desatino, sobe na mesa da sala de aula e diz que os alunos são parceiros de Hitler. Sua intenção é, na verdade, provocar a sensibilidade e a curiosidade de seus alunos. Bem visto por alguns, mas muito criticado e até processado por outros, ele é banido da universidade. Mas fica famoso recebendo diversos convites para conferências enquanto se esconde de um estranho complô nazista que tenta a todo custo assassiná-lo. Seu reconhecimento como grande historiador faz com que receba um convite de cientistas alemães, que pesquisam uma máquina complexa, financiada pelas forças armadas e que usa a teoria da relatividade e da quântica para conseguir viajar no tempo. Mas por que ele? O convite então se torna claro: tudo o que os alemães querem é alguém com competência suficiente para voltar no tempo, matar Hitler e mudar a história. Apesar de eliminar todo o mal causado por Hitler, conseguiria ele chegar à infância do ditador e assassiná-lo. Faria ele esta atrocidade?"



Tenho O Colecionador de Lágrimas desde a primeira bienal do livro que fui aqui de Fortaleza, em 2012. Eu lembro que estava passando pelos primeiros estandes de uma das entradas e no terceiro ou quarto, não me recordo ao certo, dei de cara com esse livro. Confesso que me apaixonei pela capa dele. Quando vi essa mão pegando no arame e logo mais abaixo, no pulso, esses números marcados, fiquei bem curiosa e já tendo uma noção do que se tratava. Quando peguei o exemplar para examinar ele todo (capa da frente e de trás, orelhas, contra capa, páginas, capítulos, cheiro) vi a frase abaixo do nome do livro. Ao ler "Holocausto Nunca Mais" fiquei toda arrepiada e em ter a certeza que tinha Segunda Guerra Mundial, Hitler e Holocausto, no meio, a curiosidade aumentou e eu comprei logo.

Mas, não o li tão rápido quanto eu esperava. Eu passei a não me sentir pronta para entrar nessa história e por isso guardei-o junto com outros que tenho para ler. Mais tarde, em 2015 para ser mais exata, me senti pronta para ler e a experiência não poderia ter sido melhor. Que livro maravilhoso, que história bem contada, que ensinamentos valiosos.

Tenho outra coisa para confessar: esse foi o primeiro livro do Augusto Cury que li na vida. Diferente do que já li em outras resenhas por ai, não foi por preconceito por ele escrever auto-ajuda, até porque não tenho nada contra esse gênero, até lerei alguns quando possível. Mas o motivo mesmo é que eu não tinha tido a oportunidade de ter um livro dele, e O Colecionador de Lágrimas foi o primeiro.



Bom, o que logo me chamou a atenção no inicio da leitura foi a dedicatória que ele fez. É nesse momento que percebemos a gratidão, o respeito que o Augusto Cury tem para com os professores. Esta que é uma categoria tão desrespeitada e tão importante para a formação de profissionais e cidadãos.

"Dedico este romance histórico/psiquiátrico a todas as vítimas do Holocausto, em especial às crianças, que deveriam ser tão livres no jardim da existência quanto as borboletas nos bosques floridos, mas infelizmente foram cruel e impiedosamente ceifadas [...] Dedico-o também aos mais importantes e dos menos valorizados profissionais das sociedades modernas: os professores. [...] Os professores são heróis anônimos, com uma mão escrevem no quadro, com a outra mudam a humanidade quando iluminam com seu conhecimento a mente de um aluno." (pág. 5 e 6)

O capítulo um já começa com o testemunho real de um observador sobre o extermínio judeu. Neste relato ele nos mostra uma das formas usadas pela SS (famosa guarda pessoal de Hitler que depois se transformou numa enorme organização paramilitar do Partido Nazista) para matar os judeus. Neste caso, é o extermínio de uma família, composta pelo pai e uma mãe de aproximadamente 50 anos, com duas filhas, de 20 e 24 anos, três meninos, de 10, 7 e outro de apenas 1 ano. O observador conta que eles foram colocados em frente a vala onde ficava os outros mortos e a mãe segurava o bebê no colo. O casal se olhava com lágrimas nos olhos. Depois o observador conta que o pai segurou as mãos do filho de 10 anos, que lutava para conter as lágrimas. Após isso, ele relata que ouviu uma série de tiros e quando olhou para a vala onde os judeus estavam perto, viu corpos se contorcendo ou parados em cima dos outros que foram executados anteriormente. Sim, já comecei a chorar dai.



Depois disso, o professor Júlio Verne, especialista em Segunda Guerra Mundial, acorda aos prantos e indignado. Ele estava sonhando com o relato que falei acima e por não ter feito nada ficou indignado com ele mesmo. Se chamava de covarde, omisso, fraco, pois não moveu uma pedra para ajudar aquela família executada na sua frente. Sim, nos sonhos de Júlio ele está ou como observador, ou como Nazista ou como Judeu, sempre nos episódios mais perturbadores desse tempo.

P.S.: O observador que relatou a morte real da família que eu citei acima não era Júlio Verne. Só pra deixar claro.

Depois de alguns sonhos, bem reais, ele vai ficando sufocado com essa história de não fazer nada para ajudar àquelas pessoas inocentes. Por ser um humanista ele não admitia tal omissão perante tanta barbárie e bem na sua frente.

Ele resolve pegar toda essa raiva que está sentindo dele mesmo e descontar em suas aulas. Verne sempre foi considerado um ótimo professor, mas depois desses episódios, desses sonhos quase reais, ele muda bastante sua dinâmica em sala de aula e isso tanto agrada a muitos como desagrada outros.



O professor passa imitar nazistas, a imitar Hitler, a passar toda a angustia que sentia nos sonhos com todas aquelas crueldades para seus alunos. Relatava fato por fato afim de instigar a curiosidade, a reflexão, o senso investigativo em seus alunos. Ele gostava que o conhecimento ultrapassasse a sala de aula e aos poucos foi ficando mais famoso ainda na faculdade em que dava aula.

Com o passar dos dias ele começa a receber umas cartas estranhas, escritas por pessoas que viveram na época da Segunda Guerra Mundial, passa a ser perseguido por fanáticos pelo Hitler e até a sofrer um atentado. As coisas parecem está tão fora da realidade que ele e até sua esposa Kate, que é psicologa social, passam a desconfiar de sua sanidade.

Junto a toda essa trama, a uma excelente aula de história. Júlio narra a Segunda Guerra, a história do Nazismo, a vida de Hitler, de uma forma tão divertida de ler que você não cansa e, o melhor, entende. Essa parte da história me deixou muito vidrada no livro porque gosto do tema e, principalmente, pelo Augusto ter contato a trajetória de Hitler. Claro, esse papel é do professor Verne, que além de ser professor de história também é formado em psicologia e usa seus conhecimentos para desvencilhar a mente doentia de Hitler. Nos mostra como uma criança que se tornou um simples soldado que só mandava recados e era super magro e medroso, conseguiu manipular uma sociedade tão a frente do seu tempo, como a Alemanha.

O meu exemplar está cheio de post-it porque o Cury tem um pensamento melhor que o outro. Em cada página há algo que nos faz refletir e como sempre marco o que me chama a atenção no decorrer da leitura, quase que marquei todo o livro, hehe. O autor estudou tanto para poder apontar os fatos e descrever com riqueza de detalhes, que as referências bibliográficas é composta por 5 páginas.



Bom, falando um pouco sobre o exemplar: o meu é capa brochura; até onde sei, a Editora Planeta não lançou uma nova edição em capa dura; é de junho de 2012; o nome do autor na capa, um selo em amarelo que tem perto da mão e o título do livro são em alto relevo; gostei bastante do tamanho da letra e do espaçamento; só tenho uma coisa para reclamar, as folhas são daquelas que ficam amareladas com o tempo e já apareceu umas manchas nas folhas do meu.

Espero que tenha gostado da resenha. Se tiver lido me conta ai nos comentários o que achou, gosto de saber a opinião das pessoas sobre essas dicas de leitura que faço aqui no blog. Se tiver alguma sugestão de leitura que seja parecido ou no mesmo estilo que essa, pode me falar ai nos comentários também.


*Todas as imagens próprias.




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Até a próxima,
Suh.

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