Páginas

domingo, 22 de setembro de 2013

NOVIDADES | COMPANHIA DAS LETRAS


  Como eu já disse no post passado, me mudei e por conta disso fiquei uma semana sem internet. Sofri com isso. Consequentemente estou com a caixa de entrada do meu email lotada. Aproveitei que a Companhia das Letras me mandou milhares de emails com lançamentos e vou juntar os mais interessantes e os que eu ainda não divulguei aqui para mostrar à vocês agora.


Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes

“Tragédia carioca”, Orfeu da Conceição transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas canções, por os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda do grande amor. Desesperado, Orfeu decide Descer ao Hades (reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientado em uma favela carioca, Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim — a peça inclusive inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor —, cenários de Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura entre poesia e música popular, entre teatro e canção.



Você é minha mãe?, de Alison Bechdel 

Depois de falar da relação com o pai na cultuada graphic-novel Fun Home, Alison Bechdel investiga agora a relação com a mãe, uma atriz amante de música e literatura presa a um casamento infeliz. Num relato emocionante e divertido, a autora se debruça sobre o abismo que a separa de sua mãe — que parou de tocar ou beijar a filha antes de dormir, “para sempre”, quando ela tinha sete anos — em busca de respostas e de novas perspectivas para o futuro de ambas.













Barreira, de Amilcar Bettega

Filha de um imigrante turco estabelecido no sul do Brasil, Fátima — uma jovem fotógrafa — vai viver na Turquia. Lá se envolve com um artista performático de intenções duvidosas e com um autor de guia de viagens francês, divorciado, com uma história emocional difícil e acidentada. Paralelamente a isso, o pai de Fátima retorna pela primeira vez ao seu país natal para reencontrar a filha — mas não a encontra. Empreende então uma busca infrutífera pelas ruas da grande metrópole turca. A procura não rende frutos. E a busca pela filha se torna, aos poucos, a busca pela própria identidade de um homem encerrado entre passado e presente. Barreira é mais um título da coleção Amores Expressos, em que alguns dos melhores autores brasileiros escrevem histórias de amor em ambientes como Dublin, Tóquio, Lisboa e São Petesburgo.






A tempestade: histórias de Shakespeare, de Andrew Matthews

Depois de passar doze anos abandonado numa ilha deserta ao lado de sua filha Miranda, Próspero resolve fazer justiça. Para recuperar o trono, o antigo duque de Milão utiliza seus conhecimentos de magia e provoca uma grande tempestade, fazendo naufragar o navio em que estão seus traidores e trazendo-os para perto de si. Mas em vez de semear o ódio e investir na vingança, ele opta pelo caminho da reconciliação através do amor. Será com a ajuda do inexperiente coração de Miranda, que nunca viu outro homem a não ser seu pai, que Próspero reestabelecerá a união e provará a força que tem uma paixão verdadeira. Conheça a surpreendente história da última peça de Shakespeare e descubra qual é a relação desta Tempestade com a própria vida do escritor.







Memorial do convento, de José Saramago

Para pagar uma promessa, D. João V, rei de Portugal, ordena a construção de um convento que irá consumir toneladas de minério brasileiro e o sangue de milhares de operários. Dentre eles, um certo Baltasar, da estirpe de Sete-Sóis, inválido da mão esquerda depois de uma guerra e apaixonado por Blimunda, uma jovem dotada de poderes extraordinários. Indivíduos que não costumam ser observados pela dita história oficial, mas que no entanto constituem  seu tecido mais delicado e essencial.
Graças ao entrelaçamento da narrativa história com tragédias individuais, e urdido numa prosa fulgurante e dotada da mais fina ironia na observação dos fatos, Memorial do Convento tornou seu autor, o prêmio Nobel José Saramago, um nome internacionalmente aclamado da literatura contemporânea.







A maçã envenenada, de Michel Laub

Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de 18 anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres.








Cidadania insurgente, de James Holston

Investigação etnográfica, ensaio histórico, análise sociológica, intervenção no debate político: diversas e enriquecedoras são as maneiras de ler Cidadania insurgente. Publicado originalmente nos EUA em 2008, este livro é o resultado de décadas de pesquisa sobre a cidadania brasileira e a luta por direitos como moradia e infraestrutura urbana na periferia de São Paulo. James Holston explica os processos formadores de nossa sociedade desde o período colonial até a atualidade, circunscrevendo sua aguda leitura em torno dos construtos jurídicos e práticas sociais responsáveis pela natureza ao mesmo tempo inclusiva e desigual de nossa cidadania. O autor de A cidadania modernista, clássico da crítica ao urbanismo utópico e excludente de Brasília, desmascara os mecanismos perpetuadores da desigualdade e da marginalização ao longo da violenta história social do Brasil.




Meu nome é vermelho, de Orhan Pamuk

Narrativa policial, um amor proibido e reflexões sobre as culturas do Oriente se reúnem neste livro. Estamos em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da fuga de Maomé para Meca, o sultão encomenda um livro de exaltação à riqueza do Império Otomano. Como prova da superioridade do mundo islâmico, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando intrigas e o assassinato de um artista que trabalhava no livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre Negro, que volta a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores – entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.






Abadon, o Exterminador, de Ernesto Sabato

Publicado em 1974, este é o último e mais experimental romance de Ernesto Sabato. Fragmentado em sua estrutura, Abadon, o Exterminador, mistura histórias paralelas, análise filosófica e crítica literária: o foco pode estar em diversos acontecimentos de um único dia em Buenos Aires, mas também pode estar no bombardeiro de Hiroshima ou na Guerra do Vietnã. A obra encerra uma trilogia iniciada com O túnel (1948) e recupera diversos personagens desses livros, num diálogo interno que faz da indagação sobre o processo de escrita um de seus motores principais. Clássico da literatura latino-americana, este livro é o testamento de um autor que perdeu a fé na unidade da experiência e expressou a descrença por meio da dilaceração máxima da forma literária.







Uma aventura parisiense, de Guy de Maupassant

Nesta seleção de contos de Guy de Maupassant (1850-1893), o leitor encontrará muitas formas de amor: mulheres à procura do par ideal, um homem obcecado por uma desconhecida, outro atormentado com a possível traição da esposa. E também amantes golpistas, culpados e poligâmicos. Histórias  como “Uma aventura parisiense”, de uma mulher que vai à Paris tomada por “uma curiosidade insatisfeita, por uma tentação pelo desconhecido”, buscando encontrar a sensualidade que ela lê nos relatos dos jornais de variedades, mostram toda a habilidade do autor para as narrativas curtas. E, contempladas nesta edição, estão também o belíssimo “Sobre a água”, que narra a paixão de um velho barqueiro pelo rio, e alguns contos fantásticos que Maupassant escreveu em sua prolífica carreira como escritor.





A cidade, o inquisidor e os ordinários, de Carlos de Brito e Mello

A moral e os bons costumes estão satirizados neste que é um dos mais originais romances da literatura brasileira contemporânea. Um inquisidor percorre as ruas e ocupa as consciências dos cidadãos. A cada pecado proclamado, a noção de comunidade vai sendo gradualmente esmagada pela pequenez de nossos atos diários, tornando o cotidiano um permanente auto de fé. As conversas entre vizinhos indiscretos, a voracidade que muitos têm para investigar a vida alheia e o desmoronamento da sociedade em nome da vigilância de cada uma de nossas ações — alegadamente para o nosso próprio bem-estar — fazem deste romance de Carlos de Brito e Mello um dos textos mais contundentes (e divertidos) da ficção atual.







Uma teoria provisória do amor, de Scott Hutchins

Apesar de não entender nada de informática, o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. está engajado na tentativa de criação do primeiro computador inteligente do mundo. A explicação é simples: a memória do computador foi alimentada basicamente com os diários de seu pai, um médico do Arkansas que se matou há quase vinte anos. Esse é o ponto de partida do romance de estreia de Scott Hutchins. Os dilemas e as descobertas dolorosas de Neill no processo de fazer seu pai reviver virtualmente se entrelaçam com seus próprios tropeços na vida pessoal, tendo como pano de fundo a paisagem multicolorida da baía de San Francisco, com sua variada fauna de artistas, nerds,  místicos, pornógrafos e picaretas de todo tipo. Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, Uma teoria provisória do amor encanta o leitor desde a primeira página pelo tom leve e satírico com que observa seus personagens e, ao mesmo tempo, comenta as loucuras do mundo contemporâneo.




  E ai pessoal, já leram algum desses?? Ficaram curiosos para ler qual?

Beijos,
Suh.








2 comentários:

  1. Vinícius de Moraes, Saramago, ai ai ai... Tantos livros perfeitos! Essa Editora é show!

    Abraços, Isabela.
    www.universodosleitores.com

    ResponderExcluir

Gostou? Então participa comentando abaixo ;)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...